A todos os trabalhadores do BRASIL independente em que trabalhem, onde trabalhem. Envio a todos o meu mais profundo carinho, meu abraço fraterno e o desejo que todos tenham um dia do TRABALHADOR junto de suas famílias, com saúde, paz e Deus no coração. Não pesquisei mensagens maravilhosas, nem grandes pensadores ou filósofos. Simplesmente repito meu ABRAÇO APERTADO e a vontade que a vida seja plena a todos nós.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
POR FAVOR LEIAM COM ATENÇÃO E "VEJAM" QUEM É QUEM NESSA HISTÓRIA.
VEJA FINANCIOU CACHOEIRA
Depois de subir à tribuna da Câmara e dizer que a revista Veja é “o próprio crime organizado fazendo jornalismo”, o deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) afirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que o veículo de comunicação "fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento", referindo-se à rede ilegal de atuação do contraventor Carlinhos Cachoeira.
O deputado defendeu que os responsáveis pela revista prestem esclarecimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar a rede ilegal de atuação de Cachoeira e que sejam tratados como réus. Escutas feitas durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, mostraram conexões entre o grupo do contraventor e o diretor da sucursal de Brasília da publicação semanal, Policarpo Júnior.
Este mês, Veja divulgou reportagem afirmando que a CPMI é uma "cortina de fumaça" criada pelo PT para desviar o foco do julgamento do mensalão, que será realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A notícia levou Ferro a lamentar que a revista atue desta maneira.
Perguntado se a convocação de representantes do Grupo Abril não afetaria a liberdade de imprensa, Ferro afirmou que as atividades de Veja tem conexão o crime organizado, e não com o jornalismo. Para o parlamentar, o dono da Editora Abril, Roberto Civita, deve ser tratado como réu nessa investigação.
Confira abaixo a íntegra da entrevista com o deputado Fernando Ferro, um dos candidatos a integrar a CPMI do Cachoeira.
Por que levar um órgão de imprensa a uma CPMI?
Caberia ao órgão de imprensa trazer esclarecimentos sobre essa relação, o porquê de tantos telefonemas identificados na investigação da Polícia Federal.
Você falou em requerer a presença de Roberto Civita.
Independentemente de quem seja, o Civita ou não, os responsáveis pela Veja terão de responder sobre isso.
Há uma relação da Veja com essas atividades ilegais?
É uma relação estranha, que tem laços de cumplicidade com esse submundo. Na verdade, isso vem lá de trás, em vários momentos. Essas denúncias espetaculosas da Veja, todas elas estão sendo lastreadas por esse processo de espionagem e arapongagem. Em termos de ética jornalística, isso é muito questionável. A Veja fomentou, incentivou, financiou esses delinquentes a terem esse tipo de comportamento.
Isso poderia colocar em risco a liberdade de imprensa?
A Veja tenta formar uma ideia de que nós estaríamos querendo restringir a liberdade de imprensa. Essa é uma medida esperta e calhorda dela de justificar a sua ação criminosa. Eles querem falar em nome de toda a imprensa, mas não é verdade, essa prática, esse estilo, é próprio da Veja. Ou seja, ela praticou ações criminosas e agora quer colocar o conjunto da imprensa no Brasil como vítima. Ela é ré, vai ter que trazer esclarecimentos à CPI.
Há quem defenda esse tipo de jornalismo a qualquer custo.
Essas ações da Veja têm tudo a ver com crime organizado, não com jornalismo.
Por que no Brasil há uma tendência de punir exclusivamente os políticos que estão envolvidos em atividades ilegais, sendo que por diversas ela possui muitos lados?
Há uma ação política e ideológica de incriminar um partido político, ou uma orientação, ou uma corrente política. Na verdade, não há uma preocupação com a informação, estão preocupados em incriminar alguém que está governando o país.
O senhor está falando da Veja, especificamente?
A Veja criou a figura do bandido colaborador, que é alguém que atende aos interesses dela, e o qual ela criou um nível de promiscuidade tão grande que você nem sabe quem é mais bandido. Na verdade, os dois são.
Em sua opinião, quem mais deve ser chamado para depôr na CPI?
A partir da investigação da Operação Monte Carlo, você tem os vínculos de articulação criminosa, de envolvimento entre os personagens dessa teia criminosa, então todos eles, tanto agentes públicos quanto privados, deverão ser chamados para prestar esclarecimentos.
sábado, 28 de abril de 2012
Uma técnica de cirurgia minimamente invasiva está sendo utilizada pelo Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) para o tratamento de aneurismas de aorta extensos. A nova técnica alia o procedimento endovascular (por dentro do vaso) à utilização de endopróteses fenestradas e ramificadas. Quatro pacientes já foram tratados.
Em novembro do ano passado, o Serviço de Cirurgia Vascular do HCPA realizou a primeira cirurgia endovascular com endoprótese. A técnica, inédita no Rio Grande do Sul, atendeu a um paciente portador de aneurisma que comprometia as aortas torácica e abdominal de forma simultânea. De modo geral, a nova técnica pode ser aplicada em 20% a 30% dos casos de aneurisma, nos quais a técnica endovascular tradicional não é possível ou apresenta resultado insatisfatório.
A técnica se caracteriza pela introdução na aorta de uma malha metálica (stent). O dispositivo “navega” no interior das artérias femorais até alcançar a aorta, através de um engenhoso sistema que utiliza fios metálicos e cateteres. Quando a prótese é aberta dentro da aorta, o fluxo de sangue passa a ocorrer somente dentro dela, excluindo, assim, o aneurisma da circulação e impedindo a sua ruptura.
Em novembro do ano passado, o Serviço de Cirurgia Vascular do HCPA realizou a primeira cirurgia endovascular com endoprótese. A técnica, inédita no Rio Grande do Sul, atendeu a um paciente portador de aneurisma que comprometia as aortas torácica e abdominal de forma simultânea. De modo geral, a nova técnica pode ser aplicada em 20% a 30% dos casos de aneurisma, nos quais a técnica endovascular tradicional não é possível ou apresenta resultado insatisfatório.
A técnica se caracteriza pela introdução na aorta de uma malha metálica (stent). O dispositivo “navega” no interior das artérias femorais até alcançar a aorta, através de um engenhoso sistema que utiliza fios metálicos e cateteres. Quando a prótese é aberta dentro da aorta, o fluxo de sangue passa a ocorrer somente dentro dela, excluindo, assim, o aneurisma da circulação e impedindo a sua ruptura.
Sem tratamento disponível, as doenças que afetam as células fotorreceptoras dos olhos levam à perda progressiva da visão e é a principal causa de cegueira no mundo. Nos laboratórios, pesquisadores apostam na terapia gênica não só para interromper o avanço do problema, mas com o objetivo de reverter os danos já provocados. A descoberta é que o transplante de células-tronco é capaz de tirar os pacientes das trevas.
Publicada na última edição da revista Nature, a pesquisa do Instituto de Oftalmologia da University College London é focada nos bastonetes, tipo de célula fotorreceptora que, quando prejudicada, causa cegueira noturna. O experimento foi feito com ratos, mas os cientistas estão animados com o resultado.
Robin Ali, principal autor do estudo, conta que não deve demorar para que os resultados sejam replicados em humanos.
– Isso poderá beneficiar milhões de pessoas que, até agora, não têm outra opção senão esperar que a doença progrida até ficarem cegas – afirma.
Publicada na última edição da revista Nature, a pesquisa do Instituto de Oftalmologia da University College London é focada nos bastonetes, tipo de célula fotorreceptora que, quando prejudicada, causa cegueira noturna. O experimento foi feito com ratos, mas os cientistas estão animados com o resultado.
Robin Ali, principal autor do estudo, conta que não deve demorar para que os resultados sejam replicados em humanos.
– Isso poderá beneficiar milhões de pessoas que, até agora, não têm outra opção senão esperar que a doença progrida até ficarem cegas – afirma.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A inteligência é genética?
Rogério Tuma
Médico neurologista, escreve regularmente uma coluna sobre Saúde na CartaCapital
Muitos estudos científicos tentam descobrir como e por que alguns são mais inteligentes que outros. Sem dúvida, inteligência que pode ser resumida simploriamente na capacidade de resolver problemas é constitucional, isto é, nasce com o indivíduo e com o tempo a experiência e o conhecimento aprimoram as soluções. Mas se nascemos com nossa inteligência determinada ela é necessariamente herdada?
A variabilidade de níveis de inteligência é tão grande que fica claro que dezenas ou centenas de genes interferem em nosso cociente de inteligência, o que torna difícil para os cientistas comprovar a teoria de que um determinado gene contribui para melhorar nosso QI. Cientistas americanos e ingleses concluíram o maior estudo genético na busca de um gene específico que poderia interferir na inteligência humana. Mais de 200 pesquisadores compararam a existência de uma mutação, isto é, uma mudança no código de um gene, o HMGA2, em mais de 21 mil indivíduos e comparam com o tamanho de partes do cérebro de cada um deles.
A descoberta foi que se esse gene, que antes era associado apenas à altura humana, sofrer uma modificação em seu DNA com a troca de uma molécula- e a timina ser substituída pela citosina, o cérebro do mutante sortudo será 3 centímetros cúbicos maior, e o resultado no teste de QI é que essas pessoas ganham, em média, 1,29 ponto a mais, se ambos os pais possuem a mutação o efeito no filho é aditivo com um aumento de 2,6 pontos no QI.
Esse resultado parece pouco expressivo porque a mudança foi pequena e os pesquisadores não conseguiram demonstrar se existe uma área específica que cresce mais que as outras, mas é o primeiro estudo que associa diretamente um único gene à inteligência humana.
E a escolha política também é genética? O Laboratório de Fisiologia Política da Universidade de Nebraska-Lincoln, -coordenado por um cientista político, -John Hib-bing, afirma com uma série de estudos que pelo menos ela é constitucional, isto é, nosso cérebro já nasce formado para nos tornarmos liberais ou conservadores.
De acordo com seus estudos, liberais e conservadores apresentam reações diferentes em situações que exigem respostas básicas e primitivas do ser humano, por exemplo, conservadores pró-militares apresentam reflexos mais rápidos quando são assustados com barulhos repentinos, e quando expostos a imagens ameaçadoras têm resposta de adrenalina mais intensa e olham mais rápido e por mais tempo essas -imagens. Conservadores são mais organizados nos locais onde vivem, enquanto os -liberais são mais tolerantes à bagunça.
O laboratório insiste também em encontrar diferenças anatômicas nos cérebros dos dois espécimes, em um estudo ficou demonstrado que conservadores possuem a amígdala direita maior. A amígdala é uma região profunda do cérebro e está relacionada às reações de medo e ameaça. Em contrapartida, os liberais possuem mais células no córtex do giro cingulado, que é responsável pela percepção do erro repetitivo e correção do comportamento para evitá-lo.
Segundo o cientista, as escolhas políticas são feitas muito mais por características de personalidade já adquiridas ao nascimento do que da reflexão de ideias, experiência e aprendizado. O doutor Hibbing acredita que conservadores nascem menos tolerantes a mudanças, mas são melhores líderes, trabalhadores e mais leais, enquanto que liberais são receptivos às novas experiências, adaptativos a mudanças, lidam melhor com incertezas e são bem mais flexíveis e têm apetite pela vida.
É só olharmos para os lados ou para o espelho que ficará claro que essas características não são binárias, e portanto não podemos colocar todos os humanos em apenas dois grupos de escolhas políticas, mas o que o autor tem como objetivo é pregar a tolerância de todos os lados, já que o discurso não muda a anatomia.
EU GOSTARIA
Que os nossos técnicos TODOS tivessem um pouco de humildade, um pouco de sabedoria, um pouco de boa vontade, enfim um pouco só de tudo isso que citei, com certeza estariam agora, revendo seus conceitos obsoletos ao assistirem esse BAITA JOGO de futebol entre Barça e Chelsea que mostra duas equipes maravilhosas, com jogadores maravilhosos, com técnicos capazes de algo que os nossos passam de longe, HUMILDADE, jogadores capazes de modificarem seu tipo de jogo com o centro avante do Chelsea Drogbar que se mata sozinho e não reclama de esquema. Já imaginaram os nossos orgulhosos jogadores trabalhando como Drogbar que até recua para dar uma mão ao time. Capaz. Nossos jogadores são orgulhosos demais e se acham mais do que o clube que os paga. Não sei qual será o resultado do jogo e nem me interessa, o que me deixa maravilhado é o que envolve um tipo de jogo desses. A doação, a capacidade de adaptação de técnicos e jogadores. E a raça maravilhosa. Quem ganha com tudo isso é o FUTEBOL, pena que não é o nosso. Nem falei dos nossos dirigentes. Onde tem dirigente que fala que o Barça não ganhou nada e mais um infinidade de idiotices e este dirigente é RESPONSÁVEL por nossa seleção, vamos falar o que, de um débil mental desses, futebolisticamente falando claro. Mas que é uma besta com certeza é. Terminou o jogo e o Chelsea empatou, classificando-se para a final da Champion, num jogo repito emocionante, que não retira em nada a qualidade de melhore futebol do mundo do Barcelona.
Quem como eu adora o futebol, admira este jogo maravilhoso, fantástico, espetacular deve ter ficado deliciado com o jogo. Foram magníficos. Uma aula de duas escolas, de dois tipos de diferentes de jogar, pelo menos nesse jogo. Sou um fervoroso admirador do bom futebol, admiro todos (com a exceção do PORTOALEGRENSE) aqueles times que reúnem o talento, à vontade, a garra misturada com espírito de luta e se tornam grandes times. Podem até como foi o caso do Barcelona hoje não ganhar, como a seleção brasileira de 82 na Espanha. Azar do Mundial e azar da Champion Legue que esses dois times não ganharam. Talvez para nós brasileiros tenha sido o início de uma fase terrível com o desprezo pelo talento e o aparecimento do mal fadado futebol força, que aterrorizaram a nós todos por muitos e muitos anos.
O talento deve sempre preponderar sobre a força, não que essa força deva ser desprezada. De maneira nenhuma. Em minha opinião o equilíbrio entre uma e outra, com um maior predomínio do talento (parece uma contradição) é o que faz uma equipe tornar-se um grande time, uma grande equipe.
PROFº FUMAÇA GENRO PROGRAMA MÚSICA PURA AOS SÁBADOS NA RÁDIO PARECIS 690 AM DAS 17h00min ÀS 19h00min
RÁDIO WWW.musicapura.listen2myradio.com
domingo, 22 de abril de 2012
UM HOMEM, UM RELIGIOSO DA MAIS ALTA QUALIDADE ESPIRITUAL E MORAL. POR FAVOR LEIAM COM ATENÇÃO E CALMA E VERÃO O QUE NA MINHA OPINIÃO É A VERDADEIRA IGREJA SEJA ELA CATÓLICA, EVANGÉLICA OU QUALQUER OUTRA, APENAS É IGREJA, POIS O DEUS É O MESMO EM TODAS AS CRENÇAS. OU NÃO?
Gustavo Gutiérrez, o pai da teologia da libertação.
20 ABRÍS DE 2012 11h42min AM PDT
Gustavo Gutiérrez
Ele é um dos teólogos mais importantes do século XX. O dominicano peruano explica por que consagrou sua vida ao reencontro de Deus e dos pobres.
A reportagem é de Martine De Sauto, publicada no jornal La Croix, 24-03-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Ele avançou um pouco cansado, apoiou na mesa a sua bengala preta que ele nunca abandona, e se sentou. De passagem por Paris, por ocasião do 50º aniversário do Comitê Episcopal França-América Latina (Cefal), Gustavo Gutiérrez, considerado o "pai" da teologia da libertação, já se encontrou com missionários, estudantes e professores do Institut Catholique de Paris, responsáveis pelo Secours Catholique, parceiro do CCFD [Comitê Católico contra a Fome e pelo Desenvolvimento].
Na manhã do dia 24, na sala da casa provincial dos sulpicianos onde ele se hospedava, ele evocou de novo aquela teologia que marcou profundamente a Igreja latino-americana. Falar de si mesmo não é um de seus hábitos. Mas, nessa manhã em que a primavera [europeia] clareava as velhas paredes da sala, esse pequeno homem, simples, amável, aceitava fazer o relato da sua vida. O encontro durou quase três horas. Também poderia ter continuado. Gustavo Gutiérrez não estava mais cansado.
Ele nasceu em Lima, no Peru. Com apenas 12, por causa de uma osteomielite, ficou preso à cama durante vários anos. "Não havia antibióticos. Eu era aluno dos Irmãos Maristas. Tive que abandonar a escola". Estudava em casa, jogava xadrez, lia. "Meu pai era um grande leitor", lembra. "Seguramente, ele me influenciou. Dele também herdei o senso de humor, que ele sempre mostrava, apesar das nossas dificuldades".
Aos 15 anos, descobriu Pascal, que o marcou permanentemente. E, pouco tempo depois, a História de Cristo, deGiovanni Papini, que o tocou profundamente. Interessou-se também por filosofia e psicologia através dos escritos deKarl Jaspers e de Honorio Delgado. O desejo de se tornar padre, que ele tivera no início da doença, o deixara. No entanto, entrou aos 14 anos na Ordem Terceira Franciscana. "A pobreza já estava presente na minha vida de filho de família modesta, marginalizado pela doença, e nas minhas escolhas", observa.
Aos 18 anos, pôde finalmente ir para a universidade estudar medicina (com o desejo de se tornar psiquiatra) e filosofia. "Membro do movimento universitário católico, eu participava ativamente da vida política da universidade", lembra. "Foi então que ouvi na minha vida perguntas que questionavam a minha fé. Aos 24 anos, eu escolhi me tornar padre. O bispo de Lima, considerando-me muito velho para o seminário, me mandou para a Europa”.
Em Leuven, aprendeu francês, escreveu uma tese sobre Como Freud chegou à noção de conflito psíquico. Depois, se transferiu para Lyon para estudar teologia. "Era um período difícil na Igreja francesa, mas muito rico", diz, "que me permitiu encontrar Albert Gelin (cujos trabalhos sobre os 'Pobres de Javé' orientaram as minhas pesquisas), Gustave Martelet e dominicanos (como Marie-Dominique Chenu, Christian Duquoc... e também aqueles da minha geração, como Claude Geffré). Muitos anos depois, quando eu tomaria a decisão de entrar na Ordem dos Pregadores, um dos meus amigos de então, padre Edward Schillebeeckx, dominicano flamengo, me escreveria uma carta que começava assim: 'Finalmente! '".
Viver em solidariedade com os pobres
Enquanto isso, ordenado sacerdote, Gustavo Gutiérrez voltou ao Peru. Nomeado a uma paróquia do bairro pobre deRimac, em Lima, e capelão dos movimentos cristãos, ele se dedicou ao seu trabalho pastoral, dando aulas também na universidade católica. Mas já havia um problema que o atormentava: como dizer ao pobre que Deus o ama?
Em maio de 1967, dois anos depois do Concílio, do qual participou, ele abordará essa questão diante dos estudantes da Universidade de Montreal, distinguindo pela primeira vez três dimensões da pobreza. A pobreza real de todos os dias: "Ela não é uma fatalidade", explica "mas sim uma injustiça". A pobreza espiritual: "Sinônimo de infância espiritual, consiste em colocar a própria vida nas mãos de Deus". A pobreza como compromisso: "Ela leva a viver em solidariedade com os pobres, a lutar com eles contra a pobreza, a anunciar o Evangelho a partir deles".
Para explicar a ideia, ele se concede um pouco mais de tempo, atento a não pular alguma etapa. "No ano seguinte, eu ainda tinha que dar uma conferência em Chimbote, no Peru. Haviam-me pedido para falar sobre a teologia do desenvolvimento. Expliquei que uma teologia da libertação era mais apropriada". Essa linguagem teológica, que leva em consideração o sofrimento dos pobres, inspiraria os bispos reunidos em Medellín (Colômbia) para a segunda Conferência do Episcopado Latino-americano (Celam).
Nasce a teologia da libertação
Em maio de 1969, Gustavo Gutiérrez foi para o Brasil, que vivia então as horas mais escuras da ditadura militar. Ali encontrou estudantes, militantes da Ação Católica, padres cujo testemunho enriqueceriam a sua reflexão que desembocou na sua obra fundamental: Teologia da Libertação. "Antes do Concílio", especifica, "João XXIII havia anunciado: a Igreja é e quer ser a Igreja de todos, e particularmente a Igreja dos pobres". Os padres conciliares, preocupados com o problema da abertura ao mundo moderno, esqueceram-no um pouco. Na América Latina, essa intuição foi retomada. Os pobres começavam a se fazer sentir. "Muitos de nós víamos neles um sinal dos tempos que era preciso perscrutar, como pede a constituição Gaudium et Spes. Por causa da minha idade, da minha presença no Concílio e em Medellín, eu é que fiz um trabalho de teólogo. Mas poderia ter sido outro".
A libertação da qual Gustavo Gutiérrez fala não é um programa político. Ela se situa em três níveis que se cruzam. O nível econômico: é preciso combater as causas das situações injustas. O nível do ser humano: não basta mudar as estruturas, é preciso mudar o ser humano. O nível mais profundo, teologal: é preciso se libertar do pecado, que é a recusa de amar a Deus e ao próximo.
Quanto à teologia, ela é o meio para fazem com que o compromisso com os pobres seja uma tarefa evangélica de libertação, uma resposta aos desafios que a pobreza coloca diante da linguagem sobre Deus. Essa teologia se revela contagiosa. Nos Estados Unidos, na minoria negra, na África, na Ásia, teologias desses "terceiros mundos" se despertam, impulsionadas por um novo fôlego.
Uma vida pelos pobres
Mas essa teologia também se choca com oposições. As mais violentas vêm dos poderes econômicos, políticos e militares da América Latina, assim como nos EUA. Mas também vêm de católicos que a acusam de fazer referência, ao analisar certos aspectos da pobreza, à teoria da dependência, que usava noções provenientes da análise marxistas.
Na conferência do Celam em Puebla (1979), que confirma a visão de Medellín e fala da "opção preferencial pelos pobres", manifestam-se resistências também dentro da Igreja latino-americana. "Medellín" reconhece Gustavo Gutiérrez, "foi uma voz muito profética que provocou compromisso e resistências. Mas quando uma Igreja é capaz de ter entre os seus membros pessoas que dão a sua vida pelos pobres, como Dom Oscar Romero e muitos outros, há algo de importante que acontece nessa Igreja".
A teologia da libertação também sofreria por causa das posições do Vaticano. Em 1984, ela foi severamente criticada pela Congregação para a Doutrina da Fé, da qual o cardeal Ratzinger era então prefeito. Gustavo Gutiérrez, assim como outros, teria que dar explicações. Em 2004, ao término de um processo de "diálogo" de 20 anos, o mestre da Ordem dos Dominicanos recebeu uma carta em que o cardeal Ratzinger "rende graças ao Altíssimo pela satisfatória conclusão desse caminho de esclarecimento e aprofundamento".
"Durante aqueles anos, eu podia, mesmo assim, pregar o Evangelho na minha paróquia", conta Gustavo Gutiérrez, que se dedicava naquela época às suas pesquisas sobre Bartolomeu de Las Casas – "um gênio espiritual", diz, "que soube ver no índio o pobre segundo o evangelho" –, continuando a sua obra teológica e acompanhando de perto "a nova presença das mulheres, depois dos índios, na cena da história, do pensamento, da que estavam ausentes".
Teologia como poesia
Hoje, ele reside no convento dos dominicanos de Lima. Divide o seu tempo entre o seu trabalho pastoral, os retiros que prega os cursos de teologia na Universidade de Notre Dame (Indiana, EUA) e no Studium Dominicano de Lille (França). Mas, incansavelmente, ele continua a sua obra teológica, lendo muito, até mesmo poetas. "A poesia é a melhor linguagem do amor", confidencia. "Fazer teologia é também escrever uma carta de amor a Deus, à Igreja que eu sirvo e ao povo a que eu pertenço".
Atualmente, ele está terminando um livro dedicado à opção preferencial pelos pobres. "A teologia da libertação pode até desaparecer", afirma, "mas, se restar à preferência pelos pobres, nós teremos vencido algo importante, profundamente ligado à Revelação". Depois, acrescenta, com uma expressão de clara gravidade no rosto: "A pobreza e as suas consequências são sempre o grande desafio do nosso tempo na América Latina e em muitos outros lugares do mundo. Praticar a justiça, trabalhar pela libertação dos seres humanos é falar de Deus. É um ato de evangelização".
Fonte: Instituto Humanitas Unisinos
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