terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O DILEMA

          Passeando um dia desses pelas chamadas redes sociais encontrei uma história no mínimo interessante.
            Certo político, de uma determinada região do nosso Brasil estaria sofrendo uma terrível pressão, mas bota pressão nisso para que tomasse uma determinada atitude. Qual seria essa atitude? Agora vejam vocês. Seus companheiros de grupo político lhe pediam encarecidamente que ele NÃO pedisse voto de maneira nenhuma para os candidatos do seu grupo nas eleições para deputado estadual, federal, senador, governador e até para presidente que acontecem nesse 2014 e até pedisse voto para os adversários (vejam só), dada a sua digamos extraordinária rejeição. Agora se estabelece o dilema. Caso ele não atenda aos pedidos de seus correligionários estaria tirando votos do seu próprio grupo. Caso atendesse aos apelos daria um atestado de incompetência política extraordinária. Pergunto a todos. Que atitude deveria tomar esse político? Atenderia aos pedidos? Ou se queimaria definitivamente?
            A esse fato é que dou o nome de dilema. O dá ou desce. Desculpem, mas não resisti.



UM ABRAÇO.



PROFESSOR FUMAÇA GENRO.

sábado, 18 de janeiro de 2014

A PÁTRIA DE CHUTEIRAS. EU HEIN!

UM TEXTO JÁ PUBLICADO, MAS QUE VALE A PENA LER DE NOVO, NADA A VER COM A GLOBO.


            Como sou um apaixonado pelo futebol e assisto tudo do campeonato Português ao Russo e outras preciosidades e entrevistas assisti Felipão. E ele não se emenda. Passam os anos ele continua misturando a seleção com a pátria o que com todo respeito é sonora besteira. Ontem na sua entrevista coletiva pós-jogo falou de uma TV que divulgou ser o Brasil o mais faltoso entre os times da competição.  Eu pergunto. E daí Felipão! Imprensa não dever ter lado no futebol ou em qualquer outra atividade. Ela tem e deve informar a verdade. Ele na sua visão obscurantista deve pensar que ninguém pode criticar a seleção em nada, tudo tem de ser a favor. Pelo amor de Deus Felipão vá te catar. A TV ele não diz o nome, é a ESPN que realmente crítica e não se deixa comprar como outras que existem por ai que defendem a FIFA, a CBF o Marin e defendiam o João Havelange, o Ricardo Teixeira e outras peças dessa corja. A ESPN mostra a verdade e faz reportagens como uma premiada chamada “MEMÓRIAS DE CHUMBO” que mostra de maneira fantástica e comovente o envolvimento do futebol, com as ditaduras do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai, é uma rede que incomoda os poderosos do futebol o que convenhamos só por isso merecia uma medalha. O Felipão em sua equivocada visão de patriotismo mistura tudo, claro a seu favor. Esse meu conterrâneo é uma pessoa esforçada, sem nenhuma evolução futebolística ou política em sua vida. Pode ser campeão. Claro que pode. Azar do futebol. Vou torcer contra. Claro que não, mas não misturo futebol e pátria. Patriotismo para mim são aqueles trabalhadores e trabalhadoras desse país que exercem sua função de maneira honesta, muitas vezes passando por coisas extremamente difíceis, como transporte, violência e salários aviltados e muitas e muitas outras que se fossemos falar teríamos um longo e triste assunto pela frente.
            Daqui da nossa Diamantino no médio norte do Mato grosso mando um abraço a todos da ESPN pedindo que eles continuem nessa batida, nessa maneira de exercer seu trabalho dando chance de todos nós brasileiros sabermos as verdades que existem e outras redes não divulgam por interesses que não são os interesses da maioria da população, que não são do interesse dos verdadeiros patriotas. Sei que esse meu texto não vai chegar até eles da ESPN, não importa. Se algumas pessoas que acessam meu blog lerem para mim já está muito bom.

UM ABRAÇO.

PROFESSOR FUMAÇA GENRO.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata! Considerações sobre elogios racistas Por Charô Nunes para as Blogueiras Negras

Elogio racista é toda demonstração de admiração, afetividade ou carinho que se concretiza por meio de idéias ou expressões próprias ao racismo. Com ou sem a intenção de, que fique bem claro. Um dos mais conhecidos é o famoso “negro de alma branca” que nossos antepassados tanto ouviram. Mas não são apenas nossos homens que conhecem muito bem os elogios racistas. Nós mulheres negras também somos agraciadas com esses pequenos monstrinhos, usados inadvertidamente por amigxs, familiares. Muitas vezes até por nossos parceirxs.
Decidi fazer uma lista com 5 elogios racistas (e sexistas, diga-se de passagem) que muitas de nós escutamos quase que diariamente. Alguns são consenso, acredito. Outros nem tanto. Fico aguardando ansiosa para que você, mulher negra, deixe seu comentário dizendo se também acontece com você. Se concorda, se discorda. E, sobretudo, o que você faz para deixar bem claro que o elogio racista pode ser tudo, menos bem-vindo e apreciado.
01. “Você é uma morena muito bonita”
Esse é o elogio racista que mais escutei em toda minha vida. Minhas primeiras lembranças são do tempo da escolinha. Mesmo mulheres como Adriana Alves ainda são chamadas de morenas, pois se acredita que chamar alguém de negra é uma ofensa racial. Se você precisa se expressar, tente um simples “você é bonita ou atraente”. Ou ainda “você é uma negra linda”, o que, dependendo do contexto pode ser tão ruim quanto.
Mas em hipótese alguma diga que uma negra é morena, moreninha, morena escura. Que não é negra. Isto sim é racismo dos graúdos, pura e simplesmente. Quando acontece comigo, digo que não sou morena e nem moreninha, sou n.e.g.r.a. O bom é que, dependendo de como essa resposta é dada, a pessoa já se toca que ela não deveria ter começado o conversê, que simplesmente não estou disponível para esse tipo de diálogo. Nem com conhecidos, muito menos com estranhos.
02. “Seu cabelo é muito bonito, posso pegar?”
Há alguns anos atrás, uma senhora ultrapassou todos os limites de uma convivência pacífica ao se aproximar de mim, cheia de dedos, me tocando sem permissão e dizendo que eu tinha uma “peruca muito bonita”. Não retruquei de caso pensado, antecipando seu constrangimento por jamais ter cogitado que uma mulher negra pudesse ter um cabelo comprido, ao natural. Minha vingancinha, e sou dessas, foi olhar aquela expressão de arrependimento por ter percebido o que fez.
Entendo que simples visão de uma negra com cabelo natural pode ser inebriante. Que persiste a completa desinformação sobre o nosso cabelo. Porém, isso não justifica o toque sem permissão. Não importa se é cabelo natural ou não. A menos que você conheça muito bem a pessoa, não toque em seu cabelo sem consentimento. Eu iria mais longe. Para mim a boa etiqueta simplesmente reza que não se deve nem mesmo pedir para tocar o cabelo de uma pessoa desconhecida.
03. “Você tem os traços delicados”
Dizer que uma negra tem traços “delicados” muitas vezes tem a ver com a ideia de que será bonita se tiver uma expressão “fina”, leia-se semelhante à de uma pessoa branca. Como se determinado tipo de nariz (ou bochechas) fosse exclusivamente dessa ou daquela etnia. Uma de suas variantes é outra expressão igualmente racista – “você é uma mulher negra bonita” – algo que a meu ver é a mesma coisa de dizer que “você é bonita para uma negra”.
Afinal, qual a dificuldade de dizer que uma mulher negra simplesmente é… Uma mulher bonita? Porque Alek Wek tem de ser descrita como uma “mulher negra bonita” enquanto as mulheres brancas são apenas “mulheres bonitas”? Mais uma vez, toda a sutileza do elogio racista. Ele reconhece que você é uma pessoa admirável, mas sempre fazendo questão de te colocar “no seu lugar”, como se algumas fronteiras jamais pudessem ser cruzadas.
04. “Você tem a bunda linda”
Essa é uma opinião que certamente não é unânime. Faço questão de expressá-la como uma provocação que representa o pensamento de uma parcela significativa de mulheres negras. Para muitas de nós, esse comentário expressa a hipersexualização a que somos historicamente submetidas como exemplifica a triste biografia de Saartjie, denominada a Vênus Hotentote, exposta como atração circense em função da admiração que suas nádegas causaram na Europa do século XIX.
Apesar de todo respeito que tenho por tudo aquilo que acontece entre duas pessoas, preciso considerar a tradição racista secular desse tipo de discurso. Trata-se de reduzir a mulher a um pedacinho do seu corpo, desconsiderar sua humanidade, transformá-la num pedaço de carne exposto no açougue como aconteceu e acontece diariamente. Meu conselho é pergunte antes se a mulher a quem você pretende cumprimentar tem a mesma leitura desse tipo de elogio.
05. “Você é uma mulata tipo exportação!”
Esse elogio ainda o tratamento dispensado à mulher negra no seio da senzala, da casa grande. O pensamento que nos reduz em brinquedos sexuais. Dizer que uma mulher negra é uma “mulata tipo exportação” é esquecer uma tradição escravocrata secular, que transforma a mulher negra em “peça” que alcançará boa cotação no mercado onde a carne mais barata é a nossa. O nome desse mercado é exotificação. Em alguns casos, hiperssexualização.
Infelizmente também estamos falando sobre o modo racista com que as mulatas de escola de samba, mulheres que respeito e admiro, são mostradas e consumidas. Mulheres que levam o samba no pé, no sorriso, na raça. Que, ao invés de ser uma referência de beleza, são vendidas como frutas exóticas na temporada do carnaval. Mulheres que recentemente tem sido preteridas por “personalidades da mídia” em nome de uma pretensa “democracia racial” e muitas vezes com a anuências de algumas agremiações.
Qual é a sua opinião?
Porém, preciso dizer que os elogios racistas podem (e devem)  subvertidos. Quando o assunto são as mulatas de quem já falei aqui, isso é bastante evidente. Ser uma mulata exportação também atesta um padrão de excelência e traduz qualidades como perseverança, força. Minha professora de dança adora dizer que a graça de uma bailarina é diretamente proporcional à sua força. Mulatas é a expressão mais concreta desse enunciado.
Por isso fiz questão de usar como título desses post, um trecho do poema de Elisa Lucinda, Mulata Exportação, que resume tudo o que tentei dizer até aqui: “deixar de ser racista, meu amor, não é comer uma mulata” como muita gente gosta de pensar. E acrescento, “opressão, barbaridade, genocídio, nada disso se cura trepando com uma escura!”Muito menos tecendo elogios racistas, diga-se de passagem. Quem o diz é a mulata exportação do poema. Sou eu, somos todas nós que já ouvimos essas porcarias.
Confesso que essa lista tem algo de muito pessoal, cujas entrelinhas têm muitas dedicatórias alimentadas por ironia. Nem por isso menos pertinente. Por isso adoraria ouvir a opinião de vocês. Esqueci algum elogio racista que te incomoda? Que te fez espumar de ódio, revirar os zóios e dizer algumas verdades? Você também acredita que esse tipo de comentário, como tudo aquilo que é racista e preconceituoso, diz muito sobre a pessoa que o faz do que sobre a pessoa a quem se destina?
Me conta!
Update – Para aqueles que quiserem entender porque é tão ofensivo tocar em nossos cabelos, recomendo a leitura de Carta aberta sobre aos que põe as mãos sobre cabelos afro.

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bem vindos ao Brasil colonial: a mula, a mulata e a Sheron Menezes- retirado do blog www.blogueirasnegras.org. por Mara Gomes • em 02 Jan, 2014 •

Nossos irmãos estão desnorteados
Entre o prazer e o dinheiro desorientados
Mulheres assumem a sua exploração
Usando o termo mulata como profissão
É mal.. (Chegou o Carnaval, Chegou o Carnaval)
Modelos brancas no destaque
As negras onde estão?
Desfilam no chão em segundo plano
Pouco original mais comercial a cada ano
O carnaval era a festa do povo
Era…mas alguns negros se venderam de novo
Brancos em cima negros em baixo
Ainda é normal, natural, 400 anos depois (…)
Bem vindos ao Brasil colonial e tal…”
Voz Ativa, Racionais Mc’s.
Deve-se enegrecer/esclarecer a questão apresentada no verso dessa música que afirma que a mulher assume a sua exploração; é possível, sim, que ela assuma, mas não se trata de uma escolha deliberada ou livre, pois não existe escolha pura em uma sociedade onde as mulheres antes de se colocarem, ou se perceberem no mundo como indivíduos, são diretamente associadas a objetos para saciar o desejo masculino. Principalmente a mulher negra, que “assume” esse papel desde o tempo da escravidão até os dias de hoje. Logo, com essa questão resolvida, vamos ao trabalho árduo de pensar sobre o papel da mulher negra na mídia brasileira.
Acompanhando recentemente o concurso para eleger a nova Globeleza (mulher que deve representar a rede Globo no carnaval como a famosa “mulata” ícone do carnaval), tive duas reações primárias: primeiro me surpreendi com o número grande de negras na televisão, porque é algo que não acontece sempre e,segundo, percebi a total sexualização dos seus corpos, que se acentuou com a foto divulgada no instagram da atriz negra Sheron Menezes, onde ela exibe as mulheres de costas, apenas com a bunda em destaque quase como um troféu, como se a mulher só fosse isso: um corpo pra ser usado.
Alguns disseram: que bom, enfim o negro está adentrando a televisão. Outros, não ingênuos e mais acostumados com as artimanhas da rede Globo, não acharam algo tão bom assim. Porque, infelizmente, a mulher negra só aparece na televisão em dois momentos: ou é escrava/doméstica, ou é mulata no carnaval e nas duas visões ela está sendo colocada a serviço do homem branco. É bom que conheçam a raiz desse termo “mulata” e saibam que ele não é bom como muitos pensam. O termo ‘mulato’ vem das palavras em espanhol e português para a mula, que baseiam-se no termo em latim mulus que significa a mesma coisa. A mula é o produto resultante do cruzamento do cavalo com burra, ou seja, passou a aplicar-se ao filho de homem branco e mulher negra. O termo mulata tem raiz baseada em um animal, igualmente como o “criolo”, termo que se usava pra designar os negros antigamente, que também era o nome de uma raça de cavalo.
O ‘criolo’ não é mais usado tão livremente, mas se adotou o ‘mulata’ como um termo bonito e nada pejorativo. Não é só um nome porque é carregado de história, uma história que demonstra que a mulher negra está ali a serviço dos indivíduos que só a aceitam se ela estiver limpando seu chão, carregando carga, ou rebolando no seu colo, pois esse é o jeito que um bom animal domesticado deve agir. A mulher negra é tratada constantemente como um animal e um souvenir que o turista vem buscar no carnaval: “Venham turistas, temos mulheres negras gostosas para oferecer a vocês! Também temos boas empregadas pra limpar as suas sujeiras!”
Sim, sabemos que 125 anos se passaram e a escravidão acabou, porém as suas práticas continuam bem vindas e são aplaudidas por muitos de nós na novela das nove e no programa do Faustão, “pouco original, mas comercial a cada ano”. No tempo da escravidão, as mulheres negras eram constantemente estupradas pelo senhor branco e carregavam o papel daquela que deveria servir sexualmente sem reclamar, nem pestanejar e ainda deveria fingir que gostava da situação, pois esse era o seu dever. Hoje nós, mulheres negras, continuamos atreladas àquela visão racista do passado que dizia que só servíamos para o sexo e nada mais.
O mais problemático é que usam essa imagem do negro na televisão tentando nos enganar como se nos aceitassem, que estão nos colocando na televisão por boa vontade, que a mulher que está nessa situação “escolheu isso deliberadamente”. Mas esquecem de informar que nos concursos de beleza como Garota Fantástica, Musa do Brasileirão, Musa do caldeirão e etc. Concursos da mesma emissora, igualmente machistas e estúpidos, que representam a beleza padrão, não apresentavam nenhuma mulher negra entre as concorrentes. Por que será? Simplesmente porque a mulher negra não representa a beleza padrão, ela representa o sexo, o selvagem, o folclórico.
Se não for isso ela é invisível, se acaso ela não trabalhe por esses padrões pré-estabelecidos pela mídia. Até no carnaval, quando deixou de ser uma festa do povo, desde que eu me conheço por gente na verdade, raramente vejo uma mulher negra como destaque de escola de samba, apenas mulheres brancas, “famosas” que podem até, em sua maioria, nem saberem o que é carnaval, mas estão na avenida. Enquanto as negras que moram dentro da comunidade onde a escola trabalha seu show o ano inteiro, saem sem destaque, sem câmeras, sem atenção.
Todo o ano quando o carnaval está pra chegar, eu me preparo psicologicamente pra chuva de estereótipos, de encargos sociais e de hiperssexualização da mulher negra. Não me levem a mal, eu adoro o carnaval, mas nós como negros não podemos nos acomodar com esse tipo de representação, fazer como a “querida” Sheron Menezes e apoiar a exploração do corpo da mulher negra como se isso fosse algo normal. Temos que colocar o pé no chão, pois por mais que se pareça com, isso não é o Brasil Colônia e não somos mais escravos: é nossa vez de lutar contra o racismo de modo inteligente, não dando ibope para os racistas da rede globo, nem naturalizando o lugar do negro em lugar de inferioridade.
Zumbi, Dandara, Mandela e tantos outros lutaram para que o racismo não tenha voz em tempos consideravelmente mais pesados que esse. Então nesse momento é a nossa vez de dar as cartas e reverter o jogo. Como dizia o poema Oliveira Silveira: “Querem que a gente saiba que eles foram senhores e nós fomos escravos. Por isso te repito: eles foram senhores e nós fomos escravos. Eu disse fomos.” Não é a Globo, a Sheron, a novela, os turistas, ou o que seja, que vai nos dizer o contrário: não somos mais escravos, por isso, negros e negras, não aceitem essa colocação.
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Papa pede nova atitude com filhos de homossexuais

GOSTARIA DE VER CERTOS CRISTÃO HOMOFÓBICOS SE MANIFESTAREM AGORA. PRINCIPALMENTE OS CATÓLICOS.O ÓDIO POR ALGUÉM SER DIFERENTE É TÃO INCONCEBÍVEL QUE ME DÁ ASCO E NOJO. (PROFESSOR FUMAÇA GENRO)
RETIRADO DO SITE DA REVISTA CARTA CAPITAL
O papa Francisco pediu à Igreja Católica para reconsiderar sua postura em relação aos filhos de casais homossexuais e de pais divorciados, alertando sobre uma atitude que pode se reverter em algo equivalente a "inocular uma vacina contra a fé".
"Do ponto de vista educacional, os casamentos homossexuais nos lançam desafios que às vezes compreendemos mal", disse o papa em um discurso à União Internacional de Superiores Gerais, no dia 29 de novembro, cujos trechos foram divulgados pela imprensa italiana apenas neste sábado 4.
"A quantidade de crianças escolarizadas cujos pais estão separados é muito alta", disse, acrescentando que, a estrutura familiar está mudando na atualidade. "Lembro do caso de uma menina que, com tristeza confessou à sua professora: 'a namorada da minha mãe não gosta de mim'", disse o papa, segundo os meios de comunicação.
O papa considerou que os educadores deviam se perguntar "como ensinar o Cristo a uma geração em transformação?". "Temos que cuidar para não lhes administrar uma vacina contra a fé", alertou.
Essa é a segunda vez que o pontífice faz um aceno aos homossexuais desde que assumiu o papado em março. Em julho, ele declarou: "Se alguém é gay e busca o Senhor com sinceridade, quem sou eu para julgá-lo?".
Em dezembro, a revista norte-americana The Advocate, consagrada à homossexualidade, destacou o chefe da Igreja católica como "a personalidade mais influente em 2013 na vida dos LGBT (lésbicas, gays, bi e transexuais)".
O papa convocou uma assembleia geral dos bispos, no próximo ano, para discutir a posição da Igreja em relação à família, na qual deverá ser debatido, entre outros problemas, o dos divorciados que voltaram a casar e dos filhos de pais separados.